Sexta-feira, Junho 29, 2007

Burocracia e idiotices

O Estado permite que se crie uma cooperativa com um capital social de 250 euros. É apelativo para o público-alvo das cooperativas, as pessoas com recursos insuficientes para criar e gerir uma empresa, mas com competência para intervir e ter sucesso no mercado capitalista.
O que parece uma oportunidade de introduzir alguma justiça social no mercado começa a revelar-se um embuste quando chega a altura de legalizar a instituição. A burocracia do Estado esmifra os cidadãos e deixa sem capital para investir aqueles que já têm pouco.
Vamos fazer um exercício. Decide-se abrir uma cooperativa e reúne-se os 250 euros do capital social. Para registar e legalizar a cooperativa, o primeiro passo é pedir um certificado de como o nome escolhido para a coisa ainda não existe. Só para isso, se não se pedir urgência, porque nesse caso é mais caro, vão 72 euros. Com o certificado de admissibilidade do nome, é preciso ir fazer o registo da cooperativa numa conservatória de registo comercial. Lá se vão mais 400 euros. Imaginemos que essa cooperativa quer lançar um jornal. Precisa de pedir um certificado de que não existe nenhuma publicação com o nome pretendido: mais 35 euros (ou coisa parecida). Ainda é preciso registar o título do jornal: mais cerca de 60 euros.
Tudo somado, ainda antes de começar o investimento para gerar algum proveito, já se gastou 567 euros, mais do dobro do capital social.
A burocracia emperra o País e custa-nos caro a todos. Além de que é uma idiotice que todas as burocracias necessárias para iniciar uma actividade mais do que duplicam, em custos, o valor do capital social exigido.

2 Comments:

à s 2/7/07 00:32, Blogger Daniela disse...

é portugal, pouco mais se pode dizer

 
à s 29/7/07 11:45, Blogger McBrain disse...

Para além do dinheiro, também não me parece propriamento um processo muito simplex!

 

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