Greve geral ou cegueira política?
Qualquer indivíduo com olhos na cara consegue perceber que a greve geral de hoje foi um fiasco. Qualquer greve sectorial dos funcionários públicos ou apenas dos trabalhadores dos transportes costuma ter mais efeitos do que o protesto de hoje, que era aberto à participação de todos os trabalhadores.
Quando uma greve tem os resultados pobres que teve a de hoje, a conclusão é óbvia: a entidade contra a qual se dirigia o protesto sai fortalecida. Ou seja, o Governo e a sua acção altamente lesiva dos direitos dos trabalhadores saiu reforçada com a greve geral.
O mais grave nisto tudo é que, qualquer cidadão minimamente informado, sabia que os resultados seriam aqueles que hoje se registaram. Estranha-se que gente que se diz seguidora do exemplo e do pensamento de Álvaro Cunhal insista em não perceber um ponto fulcral pelo qual sempre se bateu o histórico dirigente comunista: a distinção entre condições objectivas e condições subjectivas para a acção política revolucionária.
Objectivamente, a acção deste Governo merece o descontentamento e a luta dos trabalhadores, pois são as classes laboriosas aquelas que mais prejudicadas têm sido pelas medidas do Executivo. Existiam, portanto, condições objectivas de base para uma greve geral. Mas vamos às questões subjectivas. Apesar da acção nefasta do Governo, estarão os trabalhadores conscientes da necessidade de lutar? Estarão motivados para uma jornada de luta com o peso de uma greve geral? Saberão até que uma greve geral é um direito de todos e não apenas dos funcionários públicos?
A resposta a qualquer uma das três questões atrás enunciadas é um vigoroso "Não". Só não o sabe quem está desligado dos trabalhadores, quem vive entre as paredes de uma direcção sindical ou partidária e confunde os seus desejos com a realidade. Veio a público que a acção de luta de hoje foi marcada por pressões dos sectores sindicais mais próximos da direcção do PCP. Não é de estranhar. Mais uma vez a cegueira política dessa gente conseguiu dar um tiro no pé e favorecer os interesses que tenta, mas não sabe como, combater.
Enquanto houver um partido que quer ser a vanguarda das classes trabalhadoras e que passa a vida a prejudicar essas mesmas classes, mercê da sua incompetência, o capitalismo há-de frutificar em Portugal. Tenho ainda pena que o outro partido revolucionário nacional, o BE, se tenha colado à greve geral. Deveria ter tido a coragem de dizer com todas as letras que este protesto não fazia sentido, apesar de ser justo. Isso não seria divisionismo, seria perspicácia.



12 Comments:
Não há para já qualquer possibilidade de mobilização para uma greve geral. Apesar de todos os acontecimentos, todas as sondagens que tenho ouvido na rádio continuam a dar maioria ao Sócrates o que significa que a opinião pública não está ainda totalmente insatisfeita.
Nestas condições a coisa não fica fácil. Até porque como se sabe, a oposição à direita não faz greve.
Ao contrário dos habituais malabarismos do Governo, a Greve Geral deste dia 30 de Maio pode ser considerada como uma grande acção de luta dos trabalhadores portugueses contra a política neoliberal do Governo PS/Sócrates. De facto, a Greve demonstrou a força e mobilização dos trabalhadores apesar de todas as ameaças do patronato e das medidas de carácter fascizante que o Governo procurou implementar numa espécie de caça ao grevista. Por outro lado, não nos devemos esquecer que o actual contexto de profunda vulnerabilidade dos contratos de trabalho e de crescente redução do poder de compra dos trabalhadores, constituem-se como factores dificultadores da luta e da organização e mobilização da Greve Geral.
Sublinhe-se ainda o sucesso da greve no sector público mas também no sector privado. Este é um ponto essencial e capital, na medida em que boa parte da comunicação social dominante, o Governo e os intelectualóides de serviço irão querer passar a imagem que a Greve Geral se terá resumido à função pública e aos transportes. Ora, isso não é verdade. No sector produtivo, vejam-se os exemplos dos CTT em Lisboa (85% de adesão à greve), call centers da TMN e da Optimus (1º turno com quase 100%), Autoeuropa (60%), Portucel de Setúbal (90%), Euroresinas em Sines (100%), Tudor/VFX (90%), Lisnave e Gestnave (100%), Groz/Beckert, empresa metalúrgica de Gaia (62,5%), Danone (73,33%), EDP em Lisboa (75%) e em Setúbal (70%), Blaukpunt em Braga (80% no turno da noite, 70% no turno do dia), Thyssen em Setúbal (85,71%), Petrogal/Matosinhos (100%), Lear em Palmela (76,67%), Unicer em Matosinhos (83%), Fisipe no Barreiro (97,14%), Cimianto em Vila Franca de Xira (80%), Auto-Sueco na Maia (98%), Rohde em Aveiro (96%), Estaleiros de Viana do Castelo (100%), Rotor/Nissan nos Montes Burgos, Porto (100%), Continente de Gaia (50% no turno das 8 horas da manhã), Refrige em Palmela (85%), Socometal do grupo Soares da Costa no Porto (91%), etc.
Eu também seria capaz de esconder-me sob anonimato e de lançar para o ar números mentirosos para concluir o contrário da realidade. Seria capaz de fazê-lo, mas sou amigo da verdade.
Vá a http://grevegeral.net/images/stories/grevegeral/adesoes/adesao_17h47_net.pdf
e veja pelos seus olhos. Veja o número de empresas em que houve greve e cresça.
Curioso que você não tenha nunca falado da greve geral antes da sua realização e agora venha armado em grande estratega da luta operária em Portugal. É típico dos falhados. Falhou como funcionário político onde nunca valeu um chavo. Falhou como jornalista dada a sua mediocridade. Vamos a ver se falha como bajulador ao actual governo.
Os sindicatos e os seus dirigentes são mesmo a melhor fonte para avaliar o sucesso de uma greve. Pedir a um sindicalista para compilar dados sobre uma greve é o mesmo que pedir a qualquer incompetente para se avaliar a si próprio: nota máxima.
A sorte dos sindicalistas que inventam estes números é que os controleiros que estão acima deles são tão ou mais incompetentes. E uma mão lava a outra e as duas lavam o cu. Enquanto isso, os trabalhadores continuam a penar.
Aliás, a meio do quadro que aqui é indicado para consultar chega-se ao magnífico número de 100 por cento de adesão na estação de S. Bento, Porto. Seria de esperar que tal equipamento estivesse fechado e que não chegassem nem partissem comboios. Não foi nada disso que sucedeu. Os números representam, quando muito, a percentagem dos sindicalizados de determinado sindicato que aderiram em cada sítio. E ainda assim estão inflacionados.
Este comentário foi removido pelo autor.
Quanta cegueira!!
Eu fico maravilhada com estas atitudes revolucionárias!
É magnífico a quantidade de parvoíces que um gajo pode dizer sem dar a cara, escondido no anonimato.
A frustração de que quando tudo falha parte-se para o insulto está aqui bem patente! É a vida! Ora, isto é grave e está mal! E como está mal, tenho que me pronunciar!
Verifico que o anonimato revela "coragem" para falar-se das pessoas como se tudo se soubesse delas: ora, chamar bajulador ao JCG é o mesmo que dar um tiro no pé!
Então não é que o homem tem uma tremenda falta de habilidade para se deixar subornar por terceiros a bem da verdade, e por isso não teve ainda grande sorte? Ainda por cima é inflexível... já eu, não me importava nada que ele se deixasse ir na onda,(;o)) porque sei que se o fizesse não teria interrompido a sua carreira como jornalista!
E depois vem para aqui um anónimo mandar umas boquinhas...
O mesmo se passou com a greve: mas qual greve? Isto não foi greve nenhuma! O que houve foi:
- gente que "faltou ao trabalho" para ir passear para os centros comerciais, e
- gente que se viu "obrigada a faltar" por causa de meia dúzia de laparotos fanáticos!!
Que bonito! Cortar os cabos do metro durante a noite, hein? Mais uma vez no anonimato...
E para quê? Para obrigar as pessoas a "faltar ao trabalho". Pessoas, que não tinham intenção nenhuma de aderir à greve. Estes ditadorzecos quiseram obrigar a malta a fazer greve quando esta devia ser um direito de cada um. Ridículo!
Façam mas é uma greve como deve ser: quero ver as pessoas sentadinhas nos seus postos de trabalho, ou à porta das empresas, assumindo as consequências do "eu estou em greve, não vou mexer uma palha, e as minhas razões são xyz"... dar a cara, enfrentar a coisa! Mas não... simplesmente não foram trabalhar! A gente nem sabe quem são!
Nem manifestações, nada!! Zero, ou muito próximo de zero!! O que se viu foi meia dúzia de sindicalistas que aproveitaram o tempo de antena na tv para falarem de estatísticas...(lol, não deixa de ter piada!) onde estão as exigências? Onde está a motivação? Não convencem ninguém e depois até querem obrigar a malta a fazer parte da estatística, quando nem fizeram greve nenhuma!
Que fique claro que detesto polítcos no geral! São na sua maioria uma cambada de monhés que só olham para o seu "mealheiro". E quem não olha... é corrido porque "não vale um chavo"! ;o)
É só para que não pensem que também estou a bajular o governo! :)
Façam-se à vida!!
Haja paciência!!
Já me ri e muito com os comentários do tal anónimo.
Claramente estamos perante um comuna que mais uma vez engole a cassete, sem ter capacidade de abrir os olhos e verificar que a realidade foi bem diferente das baboseiras que vem para aqui dizer.
Qualquer pessoa com dois dedos de testa, só pode mesmo rir perante tais afirmações.
Geralmente os anónimos são assim, têm esta particularidade de nos fazer rir com as suas baboseiras e com a covardia de se esconderem no anonimato.
Não vou falar de mais nada, mas quem me conhece sabe que tenho fundamentos para dizer o que vou dizer a seguir. Em relação a uma das empresas que o anónimo afirma a greve ter sido um sucesso, posso afirmar categoricamente que é uma mentira de todo o tamanho. A greve na referida empresa teve uma adesão muito reduzida do pessoal.
Ora se esse exemplo que o "corajoso" anónimo nos dá é falso, parto do princípio que nos restantes devem haver muitas mais falsidades.
Genial também é a "fonte" que o genialmente engraçado anónimo nos dá para irmos verificar os números.
Este homem é um senhor!!!
Muito bom mesmo.
Parece-me obvio que esta greve geral foi um fracasso, e acho que qualquer pessoa com capacidade de pensar por si, sem ter de recorrer a directivas do partido a que pertence, consegue chegar à mesma conclusão.
P.S. Escusado será dizer que eu não fiz greve. E na questão da necessidade de uma greve nesta altura, não partilho da mesma opinião do sr. José. Obviamente.
Os gajos que eram ou são da JCP devem ter lá uma folha dos desertores e seus blogs. E então, sempre que há um tema quente têm de fazer o giro e mandar umas larachas como anónimos. E claro que como funcionários ainda recebem por isso...
O problema é quando são burros e deixam de ser anónimos porque se denunciam...
Ena pá, que o anónimo vai buscar dados a fontes fidedignas.
Não insulte a inteligência dos leitores deste blogue falando em politiquês (ou seja, a cassete "a Greve Geral deste dia 30 de Maio pode ser considerada como uma grande acção de luta dos trabalhadores portugueses contra a política neoliberal do Governo PS/Sócrates.")
Bolas, esta leitura dá-me sono....
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