Quinta-feira, Setembro 06, 2007

Estou...

...além.

Sexta-feira, Julho 06, 2007

No país do simplex...

No país do simplex e da empresa na hora, acontece o inaudito. Dois tesos e um remediado juntaram os 400 euros necessários para constituir uma cooperativa, anexaram a documentação legal e, os dois tesos, foram a uma Conservatória de Registo Comercial, instituição que, diz a lei, é a única com autoridade legal para proceder à legalização de uma cooperativa.
O primeiro funcionário que atendeu os dois representantes da futura cooperativa foi simpático, mas não pôde fazer o serviço.
- Isso é com a minha colega, disse. E foi junto da colega apresentar os dois utentes. A colega disse que, afinal, era com uma terceira pessoa. O diligente e simpático funcionário foi ter com essa pessoa. Segundos depois abeirou-se do balcão e apresentou a solução:
- Deixam ficar os documentos e o contacto. Nós não sabemos como se faz a constituição de uma cooperativa, mas mal tenhamos alguma informação entraremos em contacto.
Eu era um dos dois tesos e isto sucedeu-me esta manhã. Ainda aguardamos contacto.

Sábado, Junho 30, 2007

Usurpação de funções

O cidadão Jorge Nuno Pinto da Costa processou os autores do programa Gato Fedorento e o director da programação da RTP. O dirigente desportivo faz aquilo que é comum em todos os indivíduos que apreciam pouco a liberdade de expressão: acusa os humoristas de difamação.
O Ministério Público, colocado perante a queixa de Pinto da Costa, não a subscreveu, revelando decência. Mas isso não demoveu o queixoso de avançar com o processo. Lê-se nesta notícia a argumentação do ex-companheiro da dona Carolina Salgado.
A referida notícia diz-nos, por exemplo, o seguinte: Segundo a acusação, os arguidos «sabem muito bem do prestígio, do sucesso e consideração de que goza» Pinto da Costa e o clube a que preside, acrescentando que o líder portista «é estimado por todas as pessoas que o conhecem como sendo um homem íntegro, honesto, honrado, pacífico, ordeiro e defensor dos mais elevados valores morais e sociais». Um «dirigente desportivo de renome nacional e internacional», acrescenta.
Ora bem, perante aquele naco de prosa, só posso deixar um conselho aos elementos do Gato Fedorento: Avancem com um contra-processo, porque é óbvio que a acusação contra vós entrou no terreno da usurpação de funções fazendo humor do mais iconoclasta e desbragado, território vosso que não pode ser assim tomado de assalto.

Sexta-feira, Junho 29, 2007

Burocracia e idiotices

O Estado permite que se crie uma cooperativa com um capital social de 250 euros. É apelativo para o público-alvo das cooperativas, as pessoas com recursos insuficientes para criar e gerir uma empresa, mas com competência para intervir e ter sucesso no mercado capitalista.
O que parece uma oportunidade de introduzir alguma justiça social no mercado começa a revelar-se um embuste quando chega a altura de legalizar a instituição. A burocracia do Estado esmifra os cidadãos e deixa sem capital para investir aqueles que já têm pouco.
Vamos fazer um exercício. Decide-se abrir uma cooperativa e reúne-se os 250 euros do capital social. Para registar e legalizar a cooperativa, o primeiro passo é pedir um certificado de como o nome escolhido para a coisa ainda não existe. Só para isso, se não se pedir urgência, porque nesse caso é mais caro, vão 72 euros. Com o certificado de admissibilidade do nome, é preciso ir fazer o registo da cooperativa numa conservatória de registo comercial. Lá se vão mais 400 euros. Imaginemos que essa cooperativa quer lançar um jornal. Precisa de pedir um certificado de que não existe nenhuma publicação com o nome pretendido: mais 35 euros (ou coisa parecida). Ainda é preciso registar o título do jornal: mais cerca de 60 euros.
Tudo somado, ainda antes de começar o investimento para gerar algum proveito, já se gastou 567 euros, mais do dobro do capital social.
A burocracia emperra o País e custa-nos caro a todos. Além de que é uma idiotice que todas as burocracias necessárias para iniciar uma actividade mais do que duplicam, em custos, o valor do capital social exigido.

Quarta-feira, Junho 27, 2007

Recuos

A administração da Agência Lusa fez uma proposta de aumentos salariais que desagradou às estruturas representantes dos jornalistas da empresa. Como consequência, os jornalistas marcaram dois dias de greve.
Na véspera do início da paralisação, a administração retirou a proposta que motivara o protesto. Logo, deixou de haver motivo para a greve e esta foi desmarcada.
Títulos nos jornais do dia seguinte: «Jornalistas da Lusa desmarcam greve». Ou seja, quem ler o título fica a pensar que os jornalistas recuaram, mas, na realidade, foi a entidade patronal que, face à luta dos trabalhadores, teve de recuar. Quando nem os jornalistas respeitam os seus camaradas de profissão quem há-de respeitá-los?

Sábado, Junho 23, 2007

Estou indignado

Há alturas em que a revolta pesa mais do que o bom senso. Por isso, tenho mesmo de dirigir as palavras seguintes a todos aqueles que na Câmara do Porto assumem comportamentos pidescos como andar a filmar manifestações para identificar quem participa nelas. As tais palavras, filhas da revolta e sem parentesco com o bom senso, são as seguintes: SEUS GRANDES FILHOS DA PUTA!

Sábado, Junho 16, 2007

O Melo francês

A verdadeira contabilidade criativa

O CDS-PP é um partido bastante criativo, sobretudo no que diz respeito à contabilidade. Para "legalizar" mais de um milhão de euros recibos em 2004, o partido mandou imprimir recibos em 2005, que foram preenchidos em nome de personagens como a do famoso Jacinto Leite Capelo Rego...
Ler mais aqui.

Despenalização do aborto em fase de regulamentação

O Público revela hoje que a comissão que trabalha na regulamentação da lei de despenalização do aborto decidiu que a ecografia não será mostrada à mulher que decida abortar. É o mais lógico. Mostrar esse documento, como pretendia, por exemplo, Cavaco Silva, seria uma tentativa terrorista de enxovalho e de insulto à inteligência da mulher.
O diário divulga ainda que na consulta prévia ao aborto serão fornecidas todas as informações acerca dos métodos contraceptivos e que, após a interrupção da gravidez, todas as mulheres serão encaminhadas para consultas de planeamento familiar. Além disso, entre a comunicação da decisão e a sua execução haverá um período mínimo de três dias de reflexão.
Estas medidas demonstram que a campanha do Não assentou sempre em mentiras e em fantasmas sem sentido: a isto chama-se despenalização regulamentada e responsável, não se chama liberalização.
Mas ainda haverá mais: a todas as mulheres será entregue uma brochura com eventuais alternativas ao aborto e com a explicitação dos apoios estatais e privados a mães em dificuldades. Mas um dos mandatários do Não, João Paulo Malta, já veio dizer que queria mais. Não lhe chega a brochura, pretendia que fossem os médicos a pressionar as mulheres, no sentido de estas decidirem... de acordo com as convicções dos profissionais de saúde. «Há uma diferença entre aconselhamente passivo e activo», diz o senhor. Pois claro que há. Um trata a mulher como um ser pensante, capaz de decidir o melhor. O outro tenta impor determinada convicção à mulher, tratando-a como incapaz de decidir por si.

Quarta-feira, Maio 30, 2007

Greve geral ou cegueira política?

Qualquer indivíduo com olhos na cara consegue perceber que a greve geral de hoje foi um fiasco. Qualquer greve sectorial dos funcionários públicos ou apenas dos trabalhadores dos transportes costuma ter mais efeitos do que o protesto de hoje, que era aberto à participação de todos os trabalhadores.
Quando uma greve tem os resultados pobres que teve a de hoje, a conclusão é óbvia: a entidade contra a qual se dirigia o protesto sai fortalecida. Ou seja, o Governo e a sua acção altamente lesiva dos direitos dos trabalhadores saiu reforçada com a greve geral.
O mais grave nisto tudo é que, qualquer cidadão minimamente informado, sabia que os resultados seriam aqueles que hoje se registaram. Estranha-se que gente que se diz seguidora do exemplo e do pensamento de Álvaro Cunhal insista em não perceber um ponto fulcral pelo qual sempre se bateu o histórico dirigente comunista: a distinção entre condições objectivas e condições subjectivas para a acção política revolucionária.
Objectivamente, a acção deste Governo merece o descontentamento e a luta dos trabalhadores, pois são as classes laboriosas aquelas que mais prejudicadas têm sido pelas medidas do Executivo. Existiam, portanto, condições objectivas de base para uma greve geral. Mas vamos às questões subjectivas. Apesar da acção nefasta do Governo, estarão os trabalhadores conscientes da necessidade de lutar? Estarão motivados para uma jornada de luta com o peso de uma greve geral? Saberão até que uma greve geral é um direito de todos e não apenas dos funcionários públicos?
A resposta a qualquer uma das três questões atrás enunciadas é um vigoroso "Não". Só não o sabe quem está desligado dos trabalhadores, quem vive entre as paredes de uma direcção sindical ou partidária e confunde os seus desejos com a realidade. Veio a público que a acção de luta de hoje foi marcada por pressões dos sectores sindicais mais próximos da direcção do PCP. Não é de estranhar. Mais uma vez a cegueira política dessa gente conseguiu dar um tiro no pé e favorecer os interesses que tenta, mas não sabe como, combater.
Enquanto houver um partido que quer ser a vanguarda das classes trabalhadoras e que passa a vida a prejudicar essas mesmas classes, mercê da sua incompetência, o capitalismo há-de frutificar em Portugal. Tenho ainda pena que o outro partido revolucionário nacional, o BE, se tenha colado à greve geral. Deveria ter tido a coragem de dizer com todas as letras que este protesto não fazia sentido, apesar de ser justo. Isso não seria divisionismo, seria perspicácia.

Sábado, Maio 26, 2007

Herman vs Gato Fedorento na política

Na semana em que o ministro Mário Lino resolveu voltar às piadas - embora não tenha atingido o nível que alcançou quando se afirmou «engenheiro... inscrito na Ordem» -, o nosso político piadético por excelência resolveu mostrar que existe. É verdade, o menino guerreiro Santana Lopes, até aqui habituado a ter o exclusivo de entrar no anedotário nacional sempre que abre a boca, fez das suas.
Num dia, chamou «nazis» e «estalinistas» às práticas políticas de Marques Mendes. No dia seguinte, descobriu que foi excessivo nas afirmações e pediu desculpa. Não há paciência. O homem não conseguirá perceber que o seu tempo passou? Já não tem piada. Santana comparado com Mário Lino, parece o Herman comparado com o Gato Fedorento: até mete dó.

Quinta-feira, Maio 17, 2007

Os abutres


É uma situação comum, mas nas últimas semanas tem acontecido diariamente. Sempre que ligo o televisor e capto a emissão de um telejornal não consigo pensar noutra coisa senão em abutres. A imagem começa por ser a de umas senhoras bem vestidas, de microfone na mão e com voz sôfrega. No entanto, rapidamente, como num filme fantástico deixo de ver uma representação humana para ver abutres.
Facilmente se percebe que esta minha disfunção na percepção das imagens - ou será uma disfunção da realidade correctamente percepcionada? - deriva da cobertura "jornalística" do caso da menina britânica desaparecida no Algarve.
O caso arrasta-se, mais coisa menos coisa, há duas semanas. Sempre com grande cobertura televisiva, com directos diários a partir do local, feitos por diversos "jornalistas" por cada canal. Como é óbvio, não havendo nada para contar, porque, passado este tempo todo, nada se sabe, não é fácil manter o assunto jornalisticamente actual. Vai daí, tem-se visto o costume em casos que tais: arruma-se o jornalismo na gaveta e parte-se para o espectáculo, para a telenovela caçadora de lágrimas de espectadores mais sensíveis.
Como em qualquer trama, é preciso um vilão. Mas na vida real as coisas nem sempre acontecem com a linearidade dos folhetins de baixo orçamento. Por isso, durante muito tempo não havia quem vestisse a pele de mau da fita. O enredo começava a ressentir-se. Mas eis que, como em qualquer novela que se preze, o argumentista sacou um coelho da cartola: um cidadão inglês é apresentado como o vilão. Pouco importou aos "jornalistas" de serviço que o homem tenha direito a presunção de inocência, tanto mais que os indícios são tão ténues que, num crime da gravidade deste, permitiram que ele tenha ficado sujeito à medida de coacção mais leve existente em Portugal: termo de identidade e residência. A mesma medida de coacção a que se sujeita qualquer jornalista que seja acusado de difamação por qualquer presidente de câmara ébrio.
Com o apetite de um abutre a quem não caía nada no bico há quase duas semanas, os "jornalistas" rejubilaram com a constituição do homem como arguido. Aliás, ainda ele não tinha esse estatuto jurídico e estava a ser interrogado, e já um abutre chamava, com todas as letras, «pedófilo» ao cidadão. Nos dias seguintes, o festival continuou. Os bandos de aves juntaram-se à porta da casa da mãe do homem relatando tudo o que acontecia: quem entrava, quem saía... O direito de cada um à privacidade vale menos do que as audiências da novela.
Enfim, em Portugal não se faz jornalismo. Fazem-se novelas sobre a interacção dos seres humanos com os abutres.

Foto daqui.

Sexta-feira, Maio 11, 2007

Medida miserável

O jornalismo tem importância quando serve de mediador entre o público e aqueles que são noticiados. Cabe ao jornalista, de acordo com critérios balizados pela técnica e pela deontologia, decidir o destaque a dar a este ou àquele tema. É certo que este princípio, devido à mercantilização da informação, não tem sido seguido à risca. Mais: a prática quotidiana nas nossas redacções é de sentido contrário, dando-se cada vez mais destaque ao vendável do que àquilo que é social e politicamente relevante.
Apesar do caminho errado que vem sendo trilhado, não deve haver qualquer censura ou condicionamento externos. Devem ser os jornalistas, dentro da dialéctica de cada órgão de comunicação social, a decidir os assuntos que merecem ser noticiados e o destaque que lhes será dado.
Por isso, só posso classificar de miserável a medida preconizada pela Entidade Reguladora da Comunicação Social (ERC) segundo a qual, os espaços informativos e noticiosos da RTP têm de ser matematicamente divididos. Dizem as sapientíssimas mentes da ERC que o Governo e o partido que o suporta têm direito a 50% do espaço informativo político. O conjunto dos partidos da oposição com representação parlamentar terá direito a 48%, ficando os 2% que sobram para os partidos sem eleitos na Assembleia da República.
Ou seja, se se quiser dar informações de um dos partidos da oposição, será necessário que o Governo ou o partido que o suporta tenham mais uns posinhos. Mas se o Governo e o partido em que está ancorado, por acaso, nem fizerem nada que possa ser noticiado? Inventa-se? Dá-se um peido de um ministro em directo só para ocupar o tempo de antena?
A proposta da ERC é miserável, porque trata a informação como um direito de antena, não percebendo a diferença entre uma coisa e outra. Mais lamentável é que todos os partidos ontem ouvidos pelo DN (a ligação para a página do jornal não está a funcionar) tenham concordado com a iniciativa da ERC. Não deixa de ser sintomático da visão que a nossa classe política tem do jornalismo e da liberdade de expressão e de imprensa.

Terça-feira, Maio 08, 2007

Rio Leça: da propaganda à realidade

A propaganda municipal trouxe uma grande paleta de jornalistas à minha rua, fez sábado uma semana. Mesmo jornais pouco atentos à região Norte, como o Correio da Manhã ou o Diário de Notícias, andaram por aqui. Motivo? Uma acção de «limpeza do rio Leça», divulgada pela Câmara Municipal de Valongo. Realmente, uma série de pessoas bem intencionadas, voluntários, suponho, dedicou um dia a retirar entulho das margens do curso de água. Na semana seguinte, colocou-se uma bandeira branca no local, assinalando o "feito". isto é a propaganda, documentada nas duas imagens que se seguem.



Mas a realidade é diferente da propaganda... e cheira muito pior. Nas imediações da bandeirola branca, há coisas muito escuras: são esgotos que drenam directamente para o rio Leça. Sobre isso, nada se disse nos jornais. E é uma situação com muitos anos, apesar de ali perto haver uma ETAR. Fiquemos com as fotos, que retratam o percurso de dois esgotos desde que saem dos canos até que são engolidos pelo rio.
O esgoto passa ao lado da caixa colectora de saneamento...


... e desagua numa poça, que tem no rio a sua foz.

No meio da verdura das ervas-daninhas e a poucos metro da base da branca bandeira, há uma nascente... de água choca.

O esgoto sai do buraco e segue, ordeiro, o seu caminho.

Lá vem ele entre as ervas-daninhas (felizmente as fotos não permitem transmitir os cheiros).

Está quase...

... Conseguiu! Ali está: mais um esgoto que chega ao rio.

Quinta-feira, Maio 03, 2007

Coerências

Os porta-vozes do politicamente correcto não têm dúvidas em atribuir ao presidente da Venezuela, Hugo Chávez, o epíteto de ditador. Do alto da sua cátedra, os porta-vozes do politicamente correcto lastimam que Chávez tenha mandado encerrar um canal de televisão privado sob o argumento de que seria uma televisão ao serviço dos opositores políticos.
Os porta-vozes do politicamente correcto não param de barafustar com a escolha de Pina Moura para a direcção da Media Capital, empresa do grupo de comunicação Prisa, detentora da TVI. Alegam que o nomeado está intimamente ligado ao PS, pelo que há um risco de partidarização daquele canal privado.
Os porta-vozes do politicamente correcto acham bem que os canais venezuelanos tenham um posicionamento político definido. Mas, em Portugal, esses mesmos espíritos, iluminados pelo santo lugar-comum, acham mal que um grupo mediático nomeie quem bem entende, argumentando com o perigo de politização da informação de uma cadeia televisiva.
No fundo, estes porta-vozes são coerentes… À maneira deles, mas são-no.

Quarta-feira, Maio 02, 2007

Não podia estar mais de acordo com o senhor deputado

O deputado João Semedo disse e disse muito bem!
Não faz sentido impedir os donos dos bares, discotecas, cafés e similares de decidirem se os seus espaços são para fumadores ou para não fumadores. Não faz sentido que um cidadão não possa decidir se quer ir a um estabelecimento de não fumadores ou de fumadores. A proposta do Governo apenas defende os não fumadores, sendo um atentado ás liberdades individuais dos cidadãos.

Sábado, Abril 28, 2007

Contributo para conhecermos melhor o País - 1

Contributo para conhecermos melhor o País - 2

Segunda-feira, Abril 23, 2007

Que estranho país o meu

Que estranho país é o meu. Em pleno século XXI ainda há pessoas que vivem de vender os restos dos outros em ferros-velhos e farraparias. E ainda há pessoas que usam a liberdade de expressão para criticar o acontecimento histórico que deu essa liberdade ao povo.
O rio Leça passa perto de minha casa. Esta tarde, dirigia-me para o comboio quando vi, no leito do rio, um casal. Ele e ela recolhiam objectos metálicos que colocavam num carro-de-mão. Certamente iam vender as peças velhas a um qualquer ferro-velho, que lhes pagaria o suficiente para comer uma sopa.
É triste saber que há pessoas, tão perto de nós, que sobrevivem nesta miséria. Mas não é menos deprimente viver num país em que o leito de um rio é local para recolher sucata. Há anos, a Câmara de Valongo ou alguma entidade por ela, resolveu enfiar escavadoras no rio, tirando terra do leito do Leça, aumentando a sua profundidade. Ignoro se a intervenção foi autorizada pela autoridades do Ambiente. O que sei, porque vejo diariamente, é que, com o aumento da profundidade, na maior parte do ano grande parte do leito está seco, não chegando o rio perto da sua margem esquerda. Era nesse pedaço de leito seco, entre vegetação bravia e muito lixo, que o casal juntava o lixo do seu sustento.
Umas horas depois, sentado numa esplanada daquela que é provavelmente a zona mais cosmopolita do Porto, a zona comercial de Cedofeita, assisti a outra cena de eriçar os cabelos. Na referida zona, costuma estar um tipo a tocar guitarra e a cantar. Normalmente aparenta estar ébrio ou drogado. Ignoro se será apenas aparência ou se costuma mesmo intoxicar-se com algumas substâncias, legais ou ilegais. O que sei é que canta com uma voz toda desgraçada e com uma guitarra mais roufenha do que ele. É habitual que, enquanto este artista de rua actua, alguns amigos dele peçam uma contribuição aos transeuntes. Esta tarde, um desses cidadãos abordados pelos amigos do artista, aborreceu-se. E vai de protestar rua fora: «É só drogados, pedintes, ladrões e a puta que os pariu! É só isso que trouxe o 25 de Abril».
Que raio de país este, onde há quem viva de apanhar sucata, onde há quem atire todo o tipo de esterco para o leito de um rio e onde ainda há muita gente saudosista do fascismo.

Sexta-feira, Abril 20, 2007

Eles andam aí

Quinta-feira, Abril 19, 2007

Um blogue bem escrito, mas estranho

Chama-se Quem Apita Por Último, Apita Melhor e é um blogue muito bem escrito. Desconheço se também será bem informado ou se existe só para desinformar. O que é certo é que o ou a PJ sabe escrever e merece ser lido/a. Nem que seja porque faz pensar.

Uns jovens tão velhos

A cegueira e o sectarismo desta gente mete dó. Se Portugal fosse a URSS, o Ricardo Araújo Pereira já teria sido mandado para a Sibéria... A reacção da JCP e do PCP perante os dissidentes é completamente irracional.

Quarta-feira, Abril 18, 2007

O lugar dos animais é na jaula

Boas notícias.
Ainda me lembro da noite em que eu e o Insubordinado andámos a arrancar cartazes do PNR em Ermesinde, como retaliação por os gajos terem colado a propaganda deles em cima dos cartazes de duas forças de Esquerda, BE e CDU. Um polícia, em ronda de automóvel, bem nos disse: «Olhem que esses tipos são perigosos».
Eu e o meu amigo éramos algo inconscientes. Digamos que nos arriscámos a ser tratados... como pretos.

Terça-feira, Abril 17, 2007

Católicos e trolhas

A edição portuguesa do Courrier Internacional comemorou dois anos na passada semana. Para assinalar a data e para relançar a publicação, que tem poucos leitores, a edição de aniversário foi oferecida. Como gosto de borlas, apressei-me a pegar num exemplar na banca.
O conceito do Courrier Internacional é interessante. Selecciona, compila e traduz peças jornalísticas originalmente publicadas em dezenas de órgãos de comunicação sociald e todo o Mundo. Na minha leitura deparei-me com uma página encimada pela palavra "Portugal". Curioso, lá fui ler o no estrangeiro se escreve sobre o nosso País. Eram apenas dois textos. Um texto, original do The Irish Times, referia-se a uma escultura religiosa, feita na Irlanda e que será instalada em Fátima. O outro, um trabalho do belga Le Temps, abordava os trolhas estrangeiros na suíça.
Portanto, segundo o radar do Courrier Internacional, o Mundo vê-nos como católicos e trolhas.

Quinta-feira, Abril 12, 2007

O abutre avança sobre o animal feroz


Esta semana trouxe dados novos sobre a coabitação entre o presidente da República, Cavaco Silva, e o primeiro-ministro, José Sócrates. Desde a tomada de posse, nunca Cavaco fizera questão de tornar públicas tantas discordâncias com as posições do Governo como o fez nos últimos dias.
Tudo começou com a promulgação da lei de despenalização do aborto. Encurralado pelas votações maciças no referendo e na Assembleia da República, Cavaco Silva não teve alternativa à promulgação da lei. Vencido mas não convencido, o presidente deu conselhos para a regulamentação legislativa. Tais propostas, caso fossem seguidas, significariam, na prática, a não aplicação da lei despenalizadora.
Não contente, o presidente resolveu ainda tomar posição contrária à do Governo numa matéria que se sabe ser um compromisso eleitoral de José Sócrates: o referendo ao tratado constitucional europeu. Além disso, Cavaco contrariou o Executivo noutra matéria que se sabe ser de princípio para Sócrates: a energia nuclear. O primeiro-ministro tem dito que o nuclear não é uma opção e o presidente veio afirmar que, mais tarde ou mais cedo, o nuclear terá de ser debatido.
Em política profissional de alto nível, como é aquela que fazem Cavaco e Sócrates - embora o primeiro goste de dizer-se contra os políticos profissionais-, não há coincidências. Portanto, não foi por acaso que esta sucessão de divergências surgiu nesta altura. A leitura a fazer é simples. Cavaco apanhou Sócrates fragilizado pelas suspeitas sobre a licenciatura e resolveu aproveitar para atacar.
O primeiro-ministro definiu-se, numa célebre entrevista ao Expresso, como sendo um «animal feroz». Pelas atitudes do presidente da República, podemos dizer que este se comporta como um abutre que se atira sobre um animal ferido. Não lhe fica bem.

PS: Desde já antecipo o comentário de um amigo meu a esta posta. Estou em crer que ele irá dizer que eu aproveito o que posso e o que não posso para dizer mal do Cavaco. E que este caso é mais um exemplo de como eu crio factos para atacar o homem. Como é óbvio discordo dessa leitura e provo-o, com recurso a imagens. A foto que ilustra este texto é um belo exemplo de como eu posso ficar encantado com algo que Cavaco Silva faça.

Um atentado à liberdade de imprensa

A semana foi marcada por uma decisão do Supremo Tribunal de Justiça, que é um dos maiores atentados à liberdade de imprensa de que tenho memória. Os senhores juízes entendem que os jornalistas podem ser condenados... por dizer a verdade.
Onde é que este País vai parar? Voltámos ao tempo em que há verdades inconvenientes, que não podem ser publicadas nos jornais?
Andou por aí um berreiro pegado com o resultado de um concurso televisivo, mas este acórdão do Supremo é que merece vigorosa repulsa. O desfecho do programa televisivo não aquece nem arrefece a nossa liberdade e a nossa democracia, mas a decisão dos doutos juízes é muito preocupante.

Sexta-feira, Abril 06, 2007

Aperta-se o cerco

Mais uma investigação à Câmara de Valongo. E, provavelmente, mais uns jornalistas - saiu em mais jornais de hoje - que terão de sentar-se no banco dos réus... só por escreverem que há investigações em curso.

Quinta-feira, Abril 05, 2007

Está excelente


Só é pena o erro ortográfico.

Segunda-feira, Abril 02, 2007

É só fazer as contas

Quem pensava que a Matemática é uma ciência exacta, desengane-se. Uma das porta-vozes dos movimentos pelo Não à despenalização do aborto, Isilda Pegado, veio a público desconstruir a ideia de que vence um referendo a posição que merece mais votos dos cidadãos. Desengane-se, portanto, quem pensava que 2,5 milhões de votos no Sim valem mais do que os 1,5 milhões de votos no Não.
Isilda Pegado, citada pelo Público, esclarece: «Fomos um milhão e 500 mil portugueses que dissemos 'Não' a esta lei. Mas, se juntarmos mais um por nascer a por cada voto nosso, teremos seguramente mais de três milhões de portugueses».

Sábado, Março 31, 2007

Público: um jornal como arma de arremesso contra o Governo


A manchete de hoje do Público é um escarro jornalístico. O jornal do engenheiro Belmiro, depois de morta a OPA sobre a PT, é mais um arma de arremesso contra o primeiro-mninistro do que um órgão de informação sério.
Logo no dia ao chumbo da OPA, foi o que se viu. Hoje a coisa é mais grave. Lendo a notícia, baseada num relatório do Tribunal de Contas, percebe-se que o actual Governo, comparado com os de Durão e de Santana, é aquele que menos verbas gastou. «O Governo de Sócrates é o que sai melhor do retrato, apresentando cerca de 36,5 milhões de euros de despesas com pessoal, bens e serviços, contra 36,7 do Governo de Santana Lopes, e 77 milhões de euros do executivo de Durão Barroso», lê-se na peça assinada pelo jornalista Ricardo Dias Felner. No entanto, a manchete diz: «Sócrates foi o que mais nomeações fez e de forma menos transparente». E o texto de capa tem o seguinte teor: «O Governo de José Sócrates terá sido aquele que mais admissões permitiu e que mais recorreu a formas pouco transparentes no processo de recrutamento. Numa amostra de 30 gabinetes analisados com mais pormenor, verificaram-se 484 admissões, sendo que, de entre estas, 74 foram de especialistas. Estes dados constam da primeira auditoria do Tribunal de Contas aos gabinetes ministeriais e dos primeiros-ministros dos últimos três governos. O relatório final, já entregue ao primeiro-ministro e ao Presidente da República, conclui que existiu, em todos os gabinetes analisados, falta de transparência nas admissões, total discricionaridade na tabela salarial e mesmo situações ilegais».
Parece-me claro que a direcção do jornal entrou numa espiral de oposição ao Governo, já manifestada na publicação da investigação ao canudo de José Sócrates. O engenheiro Belmiro, provavelmente mais interessado em somar cifrões do que em dedicar-se a leituras, porventura não saberá, mas este tipo de jornalismo, com o tempo, tem um efeito de ricochete. Os ataques ao Governo, se continuarem a revelar a parcialidade que têm demonstrado, acabarão por descredibilizar o jornal e por deixar o Executivo praticamente incólume.