Estou...
...além.
Comentários e análises à actualidade diária. Especial destaque para a política, para a politiquice e para os politiqueiros. Olhar atento sobre os média.
No país do simplex e da empresa na hora, acontece o inaudito. Dois tesos e um remediado juntaram os 400 euros necessários para constituir uma cooperativa, anexaram a documentação legal e, os dois tesos, foram a uma Conservatória de Registo Comercial, instituição que, diz a lei, é a única com autoridade legal para proceder à legalização de uma cooperativa.
O cidadão Jorge Nuno Pinto da Costa processou os autores do programa Gato Fedorento e o director da programação da RTP. O dirigente desportivo faz aquilo que é comum em todos os indivíduos que apreciam pouco a liberdade de expressão: acusa os humoristas de difamação.
O Estado permite que se crie uma cooperativa com um capital social de 250 euros. É apelativo para o público-alvo das cooperativas, as pessoas com recursos insuficientes para criar e gerir uma empresa, mas com competência para intervir e ter sucesso no mercado capitalista.
A administração da Agência Lusa fez uma proposta de aumentos salariais que desagradou às estruturas representantes dos jornalistas da empresa. Como consequência, os jornalistas marcaram dois dias de greve.
Há alturas em que a revolta pesa mais do que o bom senso. Por isso, tenho mesmo de dirigir as palavras seguintes a todos aqueles que na Câmara do Porto assumem comportamentos pidescos como andar a filmar manifestações para identificar quem participa nelas. As tais palavras, filhas da revolta e sem parentesco com o bom senso, são as seguintes: SEUS GRANDES FILHOS DA PUTA!
O CDS-PP é um partido bastante criativo, sobretudo no que diz respeito à contabilidade. Para "legalizar" mais de um milhão de euros recibos em 2004, o partido mandou imprimir recibos em 2005, que foram preenchidos em nome de personagens como a do famoso Jacinto Leite Capelo Rego...
O Público revela hoje que a comissão que trabalha na regulamentação da lei de despenalização do aborto decidiu que a ecografia não será mostrada à mulher que decida abortar. É o mais lógico. Mostrar esse documento, como pretendia, por exemplo, Cavaco Silva, seria uma tentativa terrorista de enxovalho e de insulto à inteligência da mulher.
Qualquer indivíduo com olhos na cara consegue perceber que a greve geral de hoje foi um fiasco. Qualquer greve sectorial dos funcionários públicos ou apenas dos trabalhadores dos transportes costuma ter mais efeitos do que o protesto de hoje, que era aberto à participação de todos os trabalhadores.
Na semana em que o ministro Mário Lino resolveu voltar às piadas - embora não tenha atingido o nível que alcançou quando se afirmou «engenheiro... inscrito na Ordem» -, o nosso político piadético por excelência resolveu mostrar que existe. É verdade, o menino guerreiro Santana Lopes, até aqui habituado a ter o exclusivo de entrar no anedotário nacional sempre que abre a boca, fez das suas.

O jornalismo tem importância quando serve de mediador entre o público e aqueles que são noticiados. Cabe ao jornalista, de acordo com critérios balizados pela técnica e pela deontologia, decidir o destaque a dar a este ou àquele tema. É certo que este princípio, devido à mercantilização da informação, não tem sido seguido à risca. Mais: a prática quotidiana nas nossas redacções é de sentido contrário, dando-se cada vez mais destaque ao vendável do que àquilo que é social e politicamente relevante.
A propaganda municipal trouxe uma grande paleta de jornalistas à minha rua, fez sábado uma semana. Mesmo jornais pouco atentos à região Norte, como o Correio da Manhã ou o Diário de Notícias, andaram por aqui. Motivo? Uma acção de «limpeza do rio Leça», divulgada pela Câmara Municipal de Valongo. Realmente, uma série de pessoas bem intencionadas, voluntários, suponho, dedicou um dia a retirar entulho das margens do curso de água. Na semana seguinte, colocou-se uma bandeira branca no local, assinalando o "feito". isto é a propaganda, documentada nas duas imagens que se seguem.
Os porta-vozes do politicamente correcto não têm dúvidas em atribuir ao presidente da Venezuela, Hugo Chávez, o epíteto de ditador. Do alto da sua cátedra, os porta-vozes do politicamente correcto lastimam que Chávez tenha mandado encerrar um canal de televisão privado sob o argumento de que seria uma televisão ao serviço dos opositores políticos.
O deputado João Semedo disse e disse muito bem!
Que estranho país é o meu. Em pleno século XXI ainda há pessoas que vivem de vender os restos dos outros em ferros-velhos e farraparias. E ainda há pessoas que usam a liberdade de expressão para criticar o acontecimento histórico que deu essa liberdade ao povo.
Chama-se Quem Apita Por Último, Apita Melhor e é um blogue muito bem escrito. Desconheço se também será bem informado ou se existe só para desinformar. O que é certo é que o ou a PJ sabe escrever e merece ser lido/a. Nem que seja porque faz pensar.
A cegueira e o sectarismo desta gente mete dó. Se Portugal fosse a URSS, o Ricardo Araújo Pereira já teria sido mandado para a Sibéria... A reacção da JCP e do PCP perante os dissidentes é completamente irracional.
Boas notícias.
A edição portuguesa do Courrier Internacional comemorou dois anos na passada semana. Para assinalar a data e para relançar a publicação, que tem poucos leitores, a edição de aniversário foi oferecida. Como gosto de borlas, apressei-me a pegar num exemplar na banca.

A semana foi marcada por uma decisão do Supremo Tribunal de Justiça, que é um dos maiores atentados à liberdade de imprensa de que tenho memória. Os senhores juízes entendem que os jornalistas podem ser condenados... por dizer a verdade.
Mais uma investigação à Câmara de Valongo. E, provavelmente, mais uns jornalistas - saiu em mais jornais de hoje - que terão de sentar-se no banco dos réus... só por escreverem que há investigações em curso.
Quem pensava que a Matemática é uma ciência exacta, desengane-se. Uma das porta-vozes dos movimentos pelo Não à despenalização do aborto, Isilda Pegado, veio a público desconstruir a ideia de que vence um referendo a posição que merece mais votos dos cidadãos. Desengane-se, portanto, quem pensava que 2,5 milhões de votos no Sim valem mais do que os 1,5 milhões de votos no Não.